Folha branca
Filosofias à parte
uma folha branca
Jamais estará branca
para sempre
É transitória tal existencia
Uma folha branca
será sempre uma promessa
Como esta em que inauguro
esta óbvia idéia
A folha branca sempre estará grávida
de letras e idéias.
....meu coração não aguenta tanta tormenta, alegria meu coração não contenta.... (d'Os Argonautas, Cae)
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
ORAÇÃO AO CORPO
Leia pela manhã ao
acordar,
a noite ao dormir
e antes das refeições
Meu corpo
Vestimenta
da minha alma
Personificação
da minha essência
Sou a única
responsável por ti
De mim
brotarão os atos
Que a ti hão
de afetar
Positiva ou negativamente
Enquanto
estiveres ligado a mim
Se abandono pequenos
prazeres
É pelo
prazer maior da Vida
Que me foi
concedida
Generosamente
pela Natureza
Por isso te
presto
Diariamente
a minha homenagem
Cuidando de
ti
Como cuido
de mim
sábado, 8 de dezembro de 2012
HOMEMCIDADE
Dagoberto
Sant’Anna
Mergulha insano pelas vias atulhadas
entre as mecânicas almas
dos que passam.
Mais uma entre as equivocadas vidas,
perdidas numa cidade inútil e cruel
Confunde destinos e caminhos
e em meio a turba amorfa,
que baila sem rumo uma frenética
dança,
carrega seu corpo vestido
de eternas idas e voltas.
Traz carros, telefones e
computadores,
colados a sua pele, como pele
Aspira o escaldante fumo do progresso
aos frios porões do seu peito
e da sua mente embotada
de drogaesperanças.
Corcel impávido, furioso dragão
Disparando lanças de fogo em todas as
direções
Cresce a urbe, incontida
Galgando vãs alturas e desvãos
Medusa sedutora
A transformar em pedra
Olhares levianos
Que a degustam ou a consomem
Como um apaixonado estupro.
Oh! Cidade ódioamada!
O homem indefeso, impotente
ignora a imensa cidade-aranha
que lança seus toscos palpos
a insupeitáveis horizontes,
insaciável de terras e aguas,
de corpos, de almas
O homem impotente, indefeso
Mistura verdades e quimeras
No ôco dos bares, igrejas e estádios
Numa desmesurada ânsia de si
Sucumbe enfim nas noites mornas e
mortas
sob as suas luzes tristes,
às ácidas tonturas
dos seus doces sonhos.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Quem é este comandante
Quem é esse comandante
Que da ponte vê o mar
Que domina com o olhar
Toda a adversidade
Quem é esse capitão
De gesto firme na meta
Que caminha em linha reta
Sob a forte tempestade
Quem no fragor da batalha
De peito aberto avança
Dá ventos a esperança
E semeia fogo no mar
Quem é este destemido
Que lança fora a mortalha
Ombreia em riste a metralha
E insiste no navegar
Quem é este marinheiro
De pele curtida ao sol
Da cor ocre do arrebol
Que anda à dança do mar
Quem este forte marujo
Que descuida a quarentena
Que entesa a buja e a mezena
E me ensina a bolinar
Quem por detrás da figura
Da couraça e da armadura
De um velho lobo do mar
De bussola anda a procura
Da perfeita singradura
Do porto de fundear
Quem oferece a amura
Para no cais aportar
Quem atrás do porte impávido
Traz à fogo, tatuado
No sol do peito, um dragão
Quem a bombordo comanda
E a sota-voga destranca
A escota do coração
Quem empunha a espadela
E faz da vela a canção
Quem por fim solta as adriças
Dos bons ventos, das derriças
Dos tesouros, das cobiças
Da rija mastreação
Quem do naufrágio revida
Quem fundeia, quem duvida
Da forte rebentação
Quem ata a linha da vida?
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Aforismos
ADOLESCENTE: Toda criatura que tem fogos de artifício dentro dela.
AUSÊNCIA: Uma falta que fica ali presente.
FOTOGRAFIA: Um pedaço de papel que guarda um pedaço de vida nele.
FILHO: Serzinho adorável e todo seu, que um dia cresce e passa a ser todo dele.
GELO: Aquilo que a gente sente na espinha quando o amor diz que vai embora.ARTISTA: Espécie de gente que nunca vai deixar de ser criança.
LEALDADE: Qualidade de cachorro que nem todas as pessoas têm.
LÁGRIMA: Sumo que sai dos olhos quando se espreme um coração.
OUSADIA: Quando o coração diz para a coragem "vá" e a coragem vai mesmo.
terça-feira, 15 de março de 2011
Meu Livro de Poesias
Meu livro de poesias
Ganhou corajoso, a sala
Onde vadeia a família.
Saiu da estante onde restava
Estanque
Perfilado
Como tantos outros
Esquecido
Sério, impenetrável
Quiçá insosso.
Agora convive distraído
Entre o porta-retratos
E o tabuleiro de xadrez
Na mesa de centro.
Almeja concorrer, destemido
Com a última noticia
Ou com a última novela.
Certamente será lido...
Um dia será lido ...
Curiosa ou distraidamente,
será lido.
Mas,
Deseja mais :
Sonha com as ruas
Na poeira dos carros
No suor dos trabalhadores
Na paz dos bancos dos aposentados
No balançar preguiçoso
Do ultimo vagão
Do trem do subúrbio
Pensa um dia ser banal,
Comum, diário,
Inquestionável como as cédulas;
Impessoal ,
Como os bilhetes do metrô;
Urbano
Como já são os pardais.
Comum, tão comum,
Que seja trocado, doado
Vendido, ou até queimado.
Que seja esquecido e achado
Ou como quer o poeta,
até jogado pela janela.
Que fique pendurado,
Como os cordéis.
Chutado, a guisa de bola.
Colecionado,
Como os maços vazios dos cigarros.
Consultado, como os almanaques.
Escondido, como os “catecismos”.
Que tome sol,
Que tome chuva.
Que nada tome.
Sonha apenas estar presente
No meio de todos
Que todos tenham sobre si
Alguma idéia.
Que todos façam sobre si
Algum juízo.
Ser conhecido,
Ser comentado,
Ser criticado,
Ser elogiado,
Ou execrado, quem sabe ?
Quem sabe,
Algum intelectual
Nele perceba
Algum valor
E o leve
Para as academias
Para as bibliotecas
Para as escolas
Quem sabe, algum livreiro
Nele perceba
Outro valor
E o leve
Para as quermesses
Para as feiras
Para as livrarias
Quem sabe não tenha valor
Mas, não será
Por isso discriminado
Que seja considerado assim
Apenas assim
Como livro
Um objeto nobre
Privilégio de alguns
Pérola, relíquia
Diamante fino
Guardado a sete chaves
Que reste protegido
Como um sortilégio
Num puro relicário
Raro aparador
Nobre prateleira
Estante.
quarta-feira, 2 de março de 2011
O cachorro atropelado
Lá estava ele,
disforme
no meio da pista molhada.
Um monte de pêlos,
carnes e ossos,
indiferente
aos automóveis que passavam,
também aparentemente
indiferentes;
Cadê aquele Lulu,
Totó, Billy, Rex;
Cadê aquela Xuxa,
Shira, Lady, Pituca.
Agora estava ali,
anônimo,
sem medo dos carros,
da carrocinha;
Não tinha nome,
não tinha sexo,
não tinha carinho,
não tinha a alegria
da chegada do dono;
Um pneu passou voando
e lhe tirou do lugar
onde jazia imóvel:
uma pata escanchou para fora
outra para traz
lhe deformando a figura;
Um olho olhava fixo
para a realidade áspera do asfalto,
o outro mirava,
obliquo,
para o nada;
Uma orelha presa por baixo
da cabeça,
soltava a outra por cima,
que parecia atenta;
Agora,
o rabo acenava, mecânico,
movido pelo torvelinho
provocado pelas rodas
que passavam velozmente;
Seu pêlo ainda com vida,
deixava entretanto,
entrever uma mancha rosa
das suas entranhas;
Seu focinho apontava,
acusador,
para a guia da calçada
que lhe negara a vida;
Algumas lembranças,
alguma piedade,
muita revolta,
algumas surpresas,
outras exclamações,
uma ou outra pergunta,
poucos ais,
muitas indiferenças,
passavam céleres,
pelos lados,
por cima,
desviadas,
freadas,
cruzadas,
derrapadas,
sobre o inerte corpo,
que prendera outrora
a alma fiel e delicada
do doce cãozinho;
Ninguém o reclamara,
alguns o lamentaram,
muitos o condenaram,
outros o compreenderam,
então, poucos o assumiram
por dever;
Alguém o substituíra,
pois a vida
passa!
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