terça-feira, 30 de junho de 2015

Quem vem lá?

Um nome
Substantivo
do caso nem sempre reto...
Será verbo ??
Talvez nem substantivo!
Um nome
Apenas um nome...

Quem vem lá?

Mentir é preciso


Preciso ser uma mentira
Quando falo
Quando ouço
Quando penso
Quando sorrio
Quando só rio
Quando rio

Preciso parecer mentira
Quando escrevo
Quando servo   
    da língua
Da ginga
Da catinga
   do meu lugar

Preciso me prender ao mundo
Onde vivo
Onde sirvo
Onde amargo
Meu amargo
E me perco
Na mentira
De existir
  Mentir é preciso

segunda-feira, 28 de outubro de 2013



 N’Ego, N’Ovo
                                                                     Poema-práxis                                      
 ego sum fortis, ergo sum


Por tras do Homem
o Ego.
Atrás do homem
o nome, a fome, o nego.
Renego
o homem
que come
e é cego
ao que não come.
Nego o homem
com nome,
sobrenome,
renome,
que consome,
sem fome,
em nome
do ego.
Nego o homem
que  se esconde
atrás do emprego.
Mas prezo o homem
sem apego
e o carrego
e rego
 e entrego
ao povo.
O novo,
qual ovo,
é prenhe de esperança.
A dança
sem medo
da morte:
a mudança.
 A lança da sorte,
sem norte,
alcança
o deus
presente
e a mente
contra-dança
e cansa e

não alcança.
Folha branca

Filosofias à parte
uma folha branca
Jamais estará branca
para sempre
É transitória tal existencia
Uma folha branca
será sempre uma promessa
Como esta em que inauguro
esta óbvia idéia
A folha branca sempre estará grávida
de letras e idéias.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

ORAÇÃO AO CORPO



Leia pela manhã ao acordar,

 a noite ao dormir

 e antes das refeições

Meu corpo

Vestimenta da minha alma

Personificação da minha essência

Sou a única responsável por ti


De mim brotarão os atos

Que a ti hão de afetar

Positiva ou negativamente

Enquanto estiveres ligado a mim


Se abandono pequenos prazeres

É pelo prazer maior da Vida

Que me foi concedida

Generosamente pela Natureza


Por isso te presto

Diariamente a minha homenagem

Cuidando de ti

Como cuido de mim


sábado, 8 de dezembro de 2012


HOMEMCIDADE           

Dagoberto Sant’Anna

Mergulha insano pelas vias atulhadas

entre as mecânicas almas

dos que passam.

Mais uma entre as equivocadas vidas,

perdidas numa cidade inútil e cruel

 

Confunde destinos e caminhos

e em meio a turba amorfa,

que baila sem rumo uma frenética dança,

carrega seu corpo vestido

de eternas idas e  voltas.

 

Traz carros, telefones e computadores,

colados a sua pele, como pele

 

Aspira o escaldante fumo do progresso

aos frios porões do seu peito

e da sua mente embotada

de drogaesperanças.

 

Corcel impávido, furioso dragão

Disparando lanças de fogo em todas as direções

Cresce a urbe, incontida

Galgando vãs alturas e desvãos

Medusa sedutora

A transformar em pedra

Olhares levianos

Que a degustam ou a consomem

Como um apaixonado estupro.

Oh! Cidade ódioamada!

 

O homem indefeso, impotente

ignora a imensa cidade-aranha

que lança seus toscos palpos

a insupeitáveis horizontes,

insaciável de terras e aguas,

de corpos, de almas

 

O homem impotente, indefeso

Mistura verdades e quimeras

No ôco dos bares, igrejas e estádios

Numa desmesurada ânsia de si

 

Sucumbe enfim nas noites mornas e mortas

sob as suas luzes tristes,

às  ácidas tonturas

dos seus doces sonhos.

 

 

 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Quem é este comandante


Quem é esse comandante

Que da ponte vê o mar

Que domina com o olhar

Toda a adversidade

Quem é esse capitão

De gesto firme na meta

Que caminha em linha reta

Sob a forte tempestade



Quem no fragor da batalha
De peito aberto avança
Dá ventos a esperança
E semeia fogo no mar
Quem é este destemido
Que lança fora a mortalha
Ombreia em riste a metralha
E insiste no navegar



Quem é este marinheiro

De pele curtida ao sol

Da cor ocre do arrebol

Que anda à dança do mar

Quem este forte marujo

Que descuida a quarentena

Que entesa a buja e a mezena

E me ensina a bolinar



Quem por detrás da figura
Da couraça e da armadura
De um velho lobo do mar
De bussola anda a procura
Da perfeita singradura
Do porto de fundear
Quem oferece a amura
Para no cais aportar



Quem atrás do porte impávido

Traz à fogo, tatuado

No sol do peito, um dragão

Quem a bombordo comanda

E a sota-voga destranca

A escota do coração

Quem empunha a espadela

E faz da vela a canção



Quem por fim solta as adriças
Dos bons ventos, das derriças
Dos tesouros, das cobiças
Da rija mastreação
Quem do naufrágio revida
Quem fundeia, quem duvida
Da forte rebentação
Quem ata a linha da vida?