terça-feira, 7 de setembro de 2010

Homendigo (poema práxis)


O mendigo foi um homem de bem,

digo,

é um homem de bem

e bendigo o homem

que foi.

O mendigo é hoje

um homem de bem

consigo

e

não consigo

estar de bem

comigo

vendo no homem

de hoje,

o mendigo,

o homem que ontem,

nem digo,

foi meu amigo.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Os Cinco Sentidos da Poesia

                                                                               À Mario Quintana



Leio Quintana diariamente

como se cotidiana, a mente

precisasse de um comprimido

pra combater a cegueira.

Leio em voz alta

a primeira

poesia

e terapia

para os males do ouvido,

entupido pelo fato,

ou fatos do dia-a-dia.

Então percebo apagado

e embotado o olfato,

que cheira as modas da mídia;

Outro poema socorre

recuperando o nasal,

mas, sofro de outro mal:

me falta sentir o gosto

no meio deste desgosto

de dimensão nacional.

Viro a pagina e lá está

uma poção exemplar

pros males do paladar,

resgatando o doce e o sal.

O tato não mais resiste,

um fato me deixa triste:

não posso sentir os dedos.

O que fazer dos meus medos

no meio da selva insana?

A última página salva

numa lista intitulada

“Outras obras do Quintana”.

...ando fraseando....

Ser econômico é apenas procurar o menor preço para aquietar nossa inquietude...

Porque leio Quintana em pequenas doses diárias???
Porque meu coração não suporta overdose de poesia todos os dias...

O QUE É POESIA?

A poesia é a música que a vida tem
Poesia é um jeito diferente dagente ver o igual

A poesia é etérea como as borboletas ... nascem casulos ... vivem cores ....voam acasos ... morrem bolhas de sabão ...

A poesia é o absoluto acaso entre os planos da percepção

Poesia é sutil. Cuidado para não espanta-la !

A poesia se esconde embaixo ou dentro ou fora ou entre ou dentre......
Ela nunca se esconde onde a gente quer


Se busco ela me escapa. Se escapo ela me busca


O que é fato: a realidade ou a poesia atrás do fato?

Eu acho que poesia é coisa de poeta! ....... por que os outros pouco se interessam por ela

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA

Assombros

 
Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.
Fora, não se dão conta os desatentos.

Entre a aorta e a omoplata rolam
alquebrados sentimentos
Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.

Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

AMIGOS NO GALEÃO SANTA ANNA - BARRA GRANDE (clique na foto)

BRINDE



Eu brindo com amigos

a efêmera eternidade do segundo.

Não brindo a futuros!

Brindo ao tim-big-tim-bang

do agora!

Brindo ao encontro presente,

brindo ao centro do mundo:

o momento,

que explode entre as taças

como uma nascente caudalosa do tempo.

O encontro único

dos cristais da realidade,

sólidos e límpidos,

eternos e fugazes.



À dureza do cristal-tim !

À fragilidade do instante-tim !